Thursday, 29 January 2009

Propagandas legais

Algumas propagandas legais que vi na TV.

Do Ministério do Turismo:



Propaganda da Nissan Tiida:

O locutor diz: "Quando você é o mais eficiente em combustível, é claro que os emirados do petróleo não vão gostar de você."

Tuesday, 27 January 2009

Quando você acha que já viu tudo...

O partido Ale Yarok (folha verde) se dividiu por problemas internos, e hoje há o partido Ale Yarok e "Adultos" do Ale Yarok juntos com os sobreviventes do holocausto.

O que os maconheiros tem a ver com os sobreviventes? Acho que nada, a não ser a mínima quantidade de simpatizantes, e por isso a conveniência da união. Vejam que esquisito é ver um velhinho sobrevivente do holocausto defendendo a legalização da maconha:

O logo deles, escrito embaixo "a escolha moral":


O partido Ale Yarok não deixou barato, e fez uma campanha super polêmica. Abaixo está o líder do partido fumando um baseado no túmulo do fundador do Estado, David Ben-Gurion. A família protestou e hoje a propaganda não apareceu na TV, mas está no youtube...


Ninguém pode dizer que em Israel as eleições só tem o tema de segurança nacional como tema hegemônico...

O império contra ataca

Propaganda eleitoral do Likud, contra Tzipi Livni, líder do Kadima.


Hoje começaram as propagandas políticas na TV. Muita coisa boa, muita coisa ruim também... Destaques, na minha opinião, foram as campanhas do Israel Beitenu e do Avodá. Sobre o Israel Beitenu já falei faz pouco, é a mesma campanha, só que ampliada. Já o Avodá está batendo forte agora no ponto que Barak fala a verdade e não esconde nada, e que pra um político ser bem sucedido, ele tem que mentir, e isso o Barak não faz.

Abaixo uma propaganda do Likud contra Tzipi Livni. Está escrito "esperávamos mais", fazendo um jogo de palavras como o nome dela - em vermelho.

Sunday, 25 January 2009

Só não o Bibi

Com tão poucas semanas de campanha política, parece que fica difícil fazer uma campanha que constroi algo. Muito mais fácil é fazer os outros sangrarem. Um alvo fácil é o Likud, que é líder das pesquisas de opinião.

O vídeo abaixo provavelmente foi feito pela campanha do Kadima, que é por enquanto segundo lugar e espera ganhar votos que "hoje são do Likud". Há muito mais vídeos negativos, mais tarde colocarei vídeos contra a Tzipi, o Barak, e outros.



Para mais vídeos contra o Bibi, veja RakLoBibi e BibiLooser no youtube.

E o que eu acho? Concordo, só não o Bibi (nem Liberman, nem Ishai...)

Saturday, 24 January 2009

Meimad / O Movimento Verde



O rabino Melchior é como um ornitorrinco. Não deveria existir um mamífero que bota ovo, da mesma forma que não deveria existir um ortodoxo que concorda com transporte público de Shabat [Melchior, se você fala português e está lendo meu blog, entenda que falo isso com todo o respeito do mundo]. Melchior é uma ponte entre dois universos que quase não tem contato, e o faz de forma articulada e inteligentemente. Certamente ele é uma das figuras públicas que mais admiro. Pena que seu partido provavelmente não terá suficientes votos para passar a porcentagem mínima de votos para estarem representados na Knesset...

Aí está minha sugestão de mascote para o partido:

Thursday, 22 January 2009

Só Liberman entende árabe



Acho que "Só Liberman entende árabe" é provavelmente um dos melhores lemas de campanha eleitoral que já ouvi, muito melhor do que "Sem lealdade não há cidadania."
Não me entendam mal, abomino o Israel Beitenu e suas propostas facistas, mas acho que o Liberman encontrou um bom marqueteiro que pode expandir o seu eleitorado, que já não é pequeno!

Não gosto de ouvir que gente saiu para as ruas para apoiar o Hamas. Isso me incomoda de verdade. Mas Israel é um país democrático, e portanto deve defender a liberdade de expressão de todos. Por outro lado, o Hamas não é qualquer organização, eles são terroristas e inimigos declarados. E aí, como fica?

Acho um absurdo diversos parlamentares árabes não denunciarem o Hamas, e se esconderem por trás de frases do tipo "Nosso partido e o Hamas tem algumas divergências." Esses parlamentares que participam do processo democrático deveriam acusar o Hamas por tudo que ele é, podendo certamente manter suas críticas à guerra, à morte de civis, ao "processo de paz" etc. Quando parlamentares árabes-israelenses mantêm um relacionamento estreito com líderes do Hamas, Jihad Islâmico ou Hizbala, isso certamente pode ser considerado traição, e aí acho que Liberman tem razão.

Se fôssemos fazer um "teste de lealdade" ao Estado de Israel, muitos dos árabes israelenses não passariam. Vale lembrar que muitos judeus ortodoxos tampouco passariam no teste. Aí vêm a pergunta: devemos anular a cidadania desses cidadãos ou expandir o nosso conceito do que significa ser leal ao Estado de Israel e seus valores judaicos E democráticos? Essa é uma pergunta muito difícil, creio eu, e com o clima pós-guerra por aqui, o Liberman acertou em cheio em cutucar uma ferida da sociedade israelense.

Tanto fala-se de Ehud Barak como um do trio de prováveis primeiro-ministro (junto com Bibi e Livni), mas o Liberman não está mais longe de ser primeiro ministro que o Barak - ambos os partidos estão empatados pelas pesquisas de opinião [que medo!].
Os leitores estão convidados a opinar o que acham a respeito do dilema (liberdade de opinião e expressão vs. segurança nacional e caráter do estado).

Adesivo da campanha. "Sem lealdade - não há cidadania."


Site da petição
A petição diz: "Nós pedimos o anulamento da cidadania de pessoas que se identifiquem com o inimigo e não demonstram uma mínima lealdade ao país onde vivem. Sem lealdade - não há cidadania." No site dizem que o objetivo é 100 mil assinantes, mas até agora só cerca de 300 de dispuseram.

Bússola Eleitoral

O Instituto Israelense de Democracia, juntamente com o portal de notícias Ynet (Yediot Acharonot) criaram uma página na internet onde o usuário responde a algumas perguntas e depois é situado no mapa político segundo os quesitos: opinião sobre a questões de segurança nacional, opinião sobre questões socioeconômicas e opinião sobre questões de estado e religião. Vale a pena fazer, leva só uns 2 minutos.

Abaixo está onde eu me situo no mapa Direita/Esquerda em questões de segurança nacional vs. Direita/Esquerda em questões socioeconômicas.

Dentro do círculo desenhado em volta de mim (marca vermelha) estão: O Novo Movimento/Meretz, Hayerukim/Meimad, Yahadut Hatorá, Hayerukim (outro partido verde!), e Avodá. Se tivesse posto o mapa com outros quesitos, os partidos estariam situados em lugares diferentes, e eu também.
Link para o site.
Agradeço ao Bruninho pela dica. Valeu!

Wednesday, 21 January 2009

Sim, eles podem! (ser patéticos!)

O Shas, partido religioso sefaradi, está com uma campanha que deve ser fruto da imaginação de uma criança de 7 anos...
"A América disse Obama, Israel diz Ishai"


O que eles acham que o eleitorado deles é? Idiota?? Bem, eles são mesmo, deixa pra lá. O cara da foto (não o Obama) é Eli Ishai, primeiro lugar da lista do Shas. Mas ele não é o líder, é só o primeiro lugar. Pra qualquer decisão importante ele vai correndo se consultar com o verdadeiro número 1, o rabino Ovadia Iossef. É como no Irã: a gente acha que é o Ahmadinejad que manda, mas ele na verdade é boneco do Ayatolá Khamenei. Mas voltando ao Shas... O rabino Ovadia Iossef é o mesmo que disse "o messias mandará os árabes ao inferno", que "o furacão [Katrina] ,é um castigo de Deus ao presidente Bush pelo que ele fez em Gush Katif [apoiou a retirada de Gaza]" e que os que vão ao tribunal laico [e não ao tribunal rabínico] "terão lepra e câncer." Deu pra entender a figura...

Olha só outro adesivo so Shas. Está escrito: "Sim, nós podemos!" Genial a criatividade...


Do lado direito, no centro, tem duas letrinhas que são a sigla de "com a ajuda de Deus." Bem no canto superior direito, em letra bem pequena, há outra sigla que significa "com a ajuda dos céus." Quanta ajuda os caras precisam??
O Shas tem hoje 12 cadeiras e nas próximas eleições as pesquisas indicam 11. São 11 cadeiras cujo único objetivo é serem vendidas para qualquer coalisão que se forme para promover a agenda ortodoxa, se Deus quiser.

Ehud Barak não é simpático, não é amigão.

Não é simpático

Não é amigão

Não está na moda, é LÍDER!


O prestígio de Barak não está aquelas coisas, então estão tentando recuperar com a estratégia do "avesso do avesso". Durante um tempo só tinha outdoors baixando a bola dele, não é simpático, não é legal, etc. Depois puseram os outdoors dizendo que o que é importante é que ele é lider, e não se é simpatico ou não... O número de cadeiras do Avodá (partido liderado por Barak),segundo as pesquisas de opinião, subiu depois da operação em Gaza. O público israelense em sua maioria acha que ele conduziu muito bem a operação. Depois de três semanas de guerra com o Hamas, e com as campanhas políticas congeladas, os candidatos já puseram as luvas de boxe e saíram distribuindo porradas pra todo lado. Barak disse hoje num programa de entrevistas que não está concorrendo pra ser Ministro da Defesa de ninguém, ele quer mesmo é ser primeiro ministro. Vai ter que lutar muito pra chegar lá...
Ele disse hoje:
"Não sei o que outros partidos querem, mas se fosse julgar pelo comportamento do Likud, então ele está num canto que nos conduzirá a um beco sem saída e a um choque com parte do mundo livre. O Kadima não dá para saber o que quer porque ele fala algumas línguas. Lá tem parte que são pessoas claramente de direita e parte flutuam em uma posição indefinida."

Eleições 2009

O gráfico abaixo é uma média de quatro pesquisas de opinião que sairam nos últimos dias (Fonte). Os números representam o número de cadeiras na Knesset, de um total de 120. Clique na figura para vê-la aumentada.



As eleições estão marcadas para terça-feira, dia 10 de Fevereiro de 2009, faltam só três semanas. A propaganda eleitoral na TV vai começar só semana que vem, mas na internet já está rolando solta. Nos próximos posts vou falar de diferentes partidos, suas propagandas, propostas (?) e opinião (minha).

Monday, 19 January 2009

Vídeo do discurso

O discurso de Olmert que comentei no post O começo do fim, resume de maneira excelente a posição de Israel sobre os motivos da operação, seus objetivos, contatos com diversos países da comunidade internacional, etc. Vale a pena!
Vídeos legendados pelo André. Para o texto completo clique aqui. Para ver outros exelentes vídeos, clique aqui para ver os videos legendados que o André já pos no Youtube.
Parte 1


Parte 2

Discurso de Olmert de 17/01/2009

Agradeço ao André (Na Mira do Hamas) pela parceria na tradução do texto. Mais tarde o vídeo do discurso será postado. Clique aqui para o texto do discurso em hebraico.
Achei o texto do discurso muito bom, aproveitem a leitura.

Cidadãos de Israel, boa noite.

No sábado a noite, exatamente há 3 semanas, nos colocamos aqui perante vocês: meu colega, Ministro de Defesa Ehud Barak, a Primeira-Ministra substituta, a Ministra do Exterior Tzipi Livni e eu, e detatalhamos as considerações e os objetivos que nos levaram a sair para uma operação militar na Faixa de Gaza.

Hoje, estamos novamente aqui e podemos dizer que foram criadas as condições que tínhamos como meta, conforme foram definidas quando saímos para esta operação e foram atingidas completamente e até além disso:

O Hamas sofreu um golpe duro, tanto no seu poderio militar como na infra-estrutura do seu governo. Seus líderes estão se escondendo. Muitos de seus homens foram mortos. As fábricas de mísseis foram destruídas. Os canais de contrabando de armas através de dezenas túneis foram explodidos. A capacidade de transporte de armamentos dentro de Gaza foi atingido. Diminuiu a quantidade de lançamentos de mísseis em direção à Israel. Os locais de lançamento de onde a maioria dos mísseis foram lançados, estão sob o controle do exército de israel. A estimativa de todos os departamento de segurança é que a capacidade do Hamas sofreu um forte golpe que afetará suas capacidades governamentais e militares a longo prazo.

O exército de Israel e o seviço de segurança geral gerenciaram com sucesso uma missão brilhante, com o uso de todos os componentes da força de Israel - por terra, mar e ar. A campanha militar foi caracterizada pela determinação, sofisticação, coragem e capacidade de inteligência e militar excepcionais que trouxe diversos êxitos significativos. A campanha atual comprovou novamente a força de Israel e fortaleceu a capacidade de "ameaça" perante aqueles que a ameaçam.

Os reservistas, que são a base da força do exército, provaram que o espírito voluntário e sua presença sacrificar existe e é palpitante. As forças se prepararam substancialmente, equiparam-se com tudo que lhes era necessário e assim puderam demonstrar seu profissionalismo e sua coragem.

Durante todos os dias de combate, os civis israelenses demonstraram sua força, perante as centenas de mísseis e morteiros que foram lançados indiscriminadamente contra a população estimada em 1 milhão de habitantes. Foram exatamente os civis que souberam criar uma base forte que nos fortaleceu e nos deu a capacidade de continuar com a batalha. Dois anos de preparação dos civis provaram que soubemos aprender as lições e nos preparar de maneira apropriada. O governo e as autoridades locais das regiões atacadas souberam gerar tolerância, força de resistência e o mesmo espírito de força que possibilitou ao escalão do governo tomar as decisões corretas sabendo que os civis podem resistir às consequências delas.

O governo de Israel como um corpo tomador de decisões, demonstrou uma unidade objetiva e trabalhou de maneira profissional e coordenada para atingir seus objetivos. As decisões foram tomadas todas de maneira responsável e racional, depois de reflexão e discussões profundas. O governo, como poder executivo, soube suprir as necessidades e requisitos da população e das forças combatentes.

Além das conquistas devemos lembrar neste momento também aqueles que cairam e aqueles que sacrificaram suas vidas para conquistar uma realidade melhor no Sul. A operação cobrou as vidas de 3 habitantes do sul e 10 de nossos soldados. Nossos corações estão com suas famílias nesta noite. Nós desejamos a recuperação aos habitantes do Sul e aos soldados do exército de Israel que se feriram ao longo da operação.

Hoje, principalmente por causa das conquistas da operação militar, a comunidade internacional como um todo está pronta para se mobilizar para trazer a estabilidade, e sabe que para isso o processo de fortalecimento do Hamas deve ser finalizado. Para isso chegamos a entendimentos - sumamente importantes - que garantirão que o fortalecimento do Hamas diminuirá. Consolidamos entendimentos com o governo egípcio sobre temas importantes e centrais que trarão a diminuição considerável do contrabando de armas e sua chegada do Irã e da Síria até Gaza.

Na última Sexta-Feira, assinamos um acordo com o governo americano, no qual os Estados Unidos são recrutados para dar os passos necessários, junto com os outros países da comunidade internacional, para evitar o contrabando de armas para os organizações terroristas de Gaza. Eu gostaria de agradecer e valorizar o trabalho da Ministra do Exterior e Primeira-Ministra Substituta por seus atos para conseguir este documento, por sua contribuição pessoal para os processos políticos, e pelo amplo esforço diplomático que conduziu nas últimas semana, o qual contribuiu enormemente para o respaldo internacional que foi dado aos esforços israelenses contra as organizações terroristas encabeçadas pelo Hamas.

Hoje recebi uma carta do primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, do primeiro ministro da Itália, Sr. Silvio Berlusconi, da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e do presidente da França, Nicolas Sarkozy, no qual os quatro expressaram um profundo compromisso de ajudar de todas as maneiras para que armas não consigam chegar às organizações assassinas de Gaza.

Não há dúvidas que sem a operação militar determinada e bem sucedida não poderíamos chegar ao entendimento político que junto formam a imagem completa de uma enorme conquista.

Cidadãos de Israel

O governo decidiu pela operação em Gaza depois de uma longa reflexão, e somente depois que fracassaram as tentativas de parar por outros meios o fogo e as outras atividades de terror do Hamas. Israel que saiu de Gaza até o último milímetro em meados do ano de 2005 - para NÃO VOLTAR, se encontrou sob uma chuva de mísseis. O Hamas dominou pela força a Faixa de Gaza e decidiu atacar as cidades do Sul com grande vigor. Os métodos que o Hamas utiliza, não são conhecidos no "nosso mundo". Estabeleceu forças militares em bairros residenciais densamente povoados, agiu usando a população como escudo humano, e agiu usando a cobertura de mesquitas, escolas e hospitais, transformando a população palestina em reféns de suas ações terroristas, sabendo que Israel, que respeita valores supremos, não agiria. A liderança do Hamas, que vive no exterior de forma tranquila e confortável, continuou a determinar políticas extremistas, ignorando o sofrimento da população e claramente sem a vontade de querer melhorar a sua situação.

O Hamas em Gaza foi construído como uma base de força do Irã, respaldado por ele tanto financeiramente como com treinamentos e fornecimento de meios de combate avançados. O Irã, que tenta se afirmar como uma hegemonia na região, tentou reproduzir suas estratégias com o Hezbola no Líbano também na Faixa de Gaza. O Irã e o Hamas entenderam a contenção israelense como fraqueza. Eles erraram! Eles foram surpreendidos!

O Estado de Israel provou a eles que contenção é uma manifestação de força e ela foi executada de maneira determinada e sofisticada quando o evitável se transformou em inevitável.

Durante a operação o Estado de Israel mostrou sensibilidade nas suas operações para evitar, o quanto fosse possível atingir a população civil que não estava envolvida com o terror. Nos momentos em que havia dúvida que ataques contra os terroristas afetaria a população civil inocente, evitamos agir. Não existem muitos países que fariam como fizemos. Não temos nenhum conflito com os habitantes de Gaza. Nós vemos a Faixa de Gaza como parte do futuro estado palestino, com o qual nós queremos ter uma vida de boa vizinhança, e esperamos o dia da realização da visão de dois países.

Durante os dias da operação tivemos ações diversificadas e extenuantes com o objetivo de cuidar das necessidades humanitárias da população palestina. Permitimos a passagem de equipamentos, alimentos e medicamentos para evitar uma crise humanitária. Além disso, decidi nomear o ministro Itzchak Herzog, ministro do bem-estar social, para liderar este esforço, e o gabinete o instruiu hoje para investir todos os esforços para criar um plano detalhado para que nos próximos dias se possa dar uma resposta apropriada e completa às necessidades da população de Gaza. Quero expressar uma grande apreço pelas organizações internacionais que atuaram e atuam sem parar e nos ajudam proporcionar à população de Gaza condições de vida apropriadas. Israel seguirá atuando em colaboração com elas, especialmente nos próximos dias e semanas, em nome da população de Gaza.

Cidadãos de Israel

Hoje, antes da reunião do governo, conversei com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que me apresentou a iniviativa egípcia e seu pedido de cessar-fogo. Agradeci o presidente pelo compromisso egípcio de trazer uma solução à crise e pelo papel importante que o Egito tem no Oriente Médio. Eu trouxe a mensagem do presidente ao gabinete, com o conjunto total de logros que tivemos na operação e o alcance das metas. O gabinete decidiu aceitar minha proposta de declarar cessar-fogo.

A partir das 02:00 desta noite Israel cessará suas atividades ofensivas na Faixa de Gaza, e seguirá em prontidão dentro da Faixa de Gaza e em volta dela. Há de se lembrar que o Hamas não é parte do acordo que chegamos. Estamos falando de acordos de vários países no qual uma organização terrorista como o Hamas não tem e não deve ter participação. Se nossos inimigos decidirem que não bastam os golpes que já sofreram, e que estão interessados em seguir com o combate, Israel estará pronto e se sentirá na liberdade de seguir e responder com força. O Hamas se surpeendeu algumas vezes durante as últimas semanas. Ele não conseguiu prever a determinação do Estado de Israel e a seriedade de suas intenções de trazer uma mudança à realidade da região. Os líderes do Hamas não acreditaram que o Estado de Israel saísse para uma operação militar desse porte na véspera de eleições; o Hamas não previu o poder da ofensiva militar e acima de tudo - não previu os seus resultados. O Hamas ainda não sabe estimar o golpe duro que levou, e se o Hamas decidir seguir com os ataques terroristas, ele se surpreenderá novamente com a determinação do Estado de Israel. Eu não sugiro a ele ou a outras organizações terroristas nos testar!

Minhas palavras hoje a noite não serão completas sem que lembramos o soldado capturado Gilad Shalit. A cerca de cem metros daqui há uma manifestação pela sua libertação, e eu respeito cada um de seus integrantes. Os intensos esforços para a libertação de Gilad Shalit começaram muito antes da operação, seguiram durante ela e seguirão também depois. O governo de Israel atua de diversas formas para trazê-lo para casa, e durante os dias da operação fizemos diversas atividades que nos aproximaram desta meta. Devido à sensibilidade do assunto - não entrarei em detalhes. Apenas direi que Gilad está no topo de nossas preocupações e não precisamos que nos lembrem do assunto. Tenho esperança também hoje a noite que possamos vê-lo em breve junto de sua família.

E para terminar, algo pessoal:
Durante semanas estou observando dia e noite o povo de Israel que está em um esforço sem precedentes de lutar e realizar seu direito de auto-defesa. Eu vi os valentes soldados, nossos queridos e amados filhos, vi seus comandantes e o espírito que instigaram neles, vi os habitantes do Sul, sua valentia e a liderança dos prefeitos que se preocuparam e suprir as necessidades de sesu habitantes, vi também a atividade da autoridade da frente civil que em silêncio e eficiência organizou todo a operação de ajuda à região Sul, e escutei as famílias que perderam alguém. Queridas famílias: as palavras que disseram, a dor que expressaram, a valentia que nos transmitiram, são a base da força do povo de Israel. Em nome de todo o povo, em nome do governo de Israel, eu compartilho de sua dor profunda e lhes agradeço pelo incentivo, força e inspiração que sua postura forte provê a todo o povo.

Quero dizer algo aos moradores de Gaza: antes que começasse a operação, e durante ela, eu me dirigi a vocês. Nós não os odiamos, não queríamos e não queremos atingir vocês. Queríamos proteger nossas crianças e seus pais, suas famílias.

Sentimos dor por atingir cada criança palestina e membros de sua família que foram vítimas da cruel realidade que criou o Hamas e tornou vocês em, vítimas.

O sofrimento de vocês é terrível. Os seus gritos de dor - tocam o coração de todos nós. Em nome do governo de Israel, quero expressar meu pesar por termos atingido cidadãos não envolvidos, pela dor que os causamos, pelo sofrimento que eles e seus familiares sofreram em consequencia da insuportável situação que o Hamas criou.

O acordo que chegamos com o Egito, o respaldo internacional dos Estados Unidos e de países europeus. tudo isso não garantirá que o fogo do Hamas cesse. Se cessar por completo, o exército de Israel considerará sair de Gaza na data que lhe convier, e se não cessar, o exército seguirá agindo para defender nosos cidadãos.

Agora é o momento de expressar apreço e valor, antes de mais nada, pelo meu companheiro Ministro da Defesa pelo seu trabalho, pelo grande esforço que teve, pelo seu talento, profissionalismo e compreensão que expressou durante todo o caminho. Muito obrigado a você. Quero agradecer aos soldados do exército de Israel, a seus comandantes, ao general da autoridade da frente civil, Yoav Galant, ao chefe do estado-maior Gabi Ashkenazi. Ao serviço de segurança geral, a seus combatentes e a seu chefe, Yuval Diskin. Ao Mossad e a seus combatentes secretos e a seu chefe Meir Dagan. À polícia de Israel e aos serviços de resgate da Estrela-de-David Vermelha e dos bombeiros. Feliz é o povo que tem um exército e serviço de segurança e resgate como esses.

Quero expressar esperança que hoje a noite se fez um primeiro passo para uma outra realidade de segurança e paz aos habitantes de Israel. Do fundo do coração agradeço ao povo de Israel, a seus combatentes e comandantes pela valentia e pela solidariedade social que expressaram nessas semanas.

Esse é o segredo de nossa força - é a base de nosso poder, é a esperança de nosso futuro.
Obrigado.

Saturday, 17 January 2009

O começo do fim

Agora são 22:32 e estou vendo TV. Estamos esperando a coletiva de imprensa na qual o Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa anunciarão um cessar-fogo unilateral. Eles dirão que Israel alcançou seus objetivos, conforme foram definidos no início da operação. Os objetivos? São dois: a) dar um forte golpe na capacidade militar do Hamas de lançar mísseis na direção de Israel, e b) aumentar a capacidade de ameaça de Israel.

"Capacidade de ameaça" foi o jeito que encontrei para traduzir uma palavra em hebraico que não acho que tenha uma tradução para o português. Harta'á (הרתעה) significa, segundo o meu melhor entendimento "evitar que algo aconteça através de ameaças latentes ou abertas." É tipo "menino-não-faz-isso-senão-você-vai-ver."

Ouvi analistas dizendo na TV que o exército está lutando contra o Hamas, mas os políticos estão lutando a guerra anterior. Depois da segunda guerra do Líbano em 2006, criou-se uma comissão para analisar as diversas falhas que ocorreram. A Comissão Vinograd (o nome é do chefe da comissão) atribuiu diversas falhas à condução da guerra por parte do Primeiro-Ministro Olmert, por parte do Ministro da Defesa Peretz, por parte do gabinete formado por todos os ministros, etc. Agora, enquanto os soldados estão lutando uma outra guerra contra um outro inimigo, os políticos tomaram cuidado (e ainda tomam) para evitar fazer os mesmos erros apontados pela Comissão Vinograd.

Justamente por isso os objetivos desta operação são propositadamente vagos. Na segunda guerra do Líbano o objetivo era diminuir o poderio militar do Hizbala (diminuiu pouco e agora eles estão mais fortes que antes), expulsar o Hizbala do Sul do Líbano (hoje eles estão de volta), recuperar os dois soldados sequestrados (não foram recuperados, voltaram dentro de caixões só em 2008 depois de uma negociação lenta e custosa).

[Opa! O Primeiro-Ministro Olmert vai começar a falar! São 22:51, sigo daqui a pouco...]
[23:09 - acabou só agora... Foi um discurso longo e muito bom. Espero conseguir o texto mais tarde e traduzir algumas partes. Importante agora dizer que o cessar-fogo unilateral começará às 02:00 desta madrugada. O exército seguirá na Faixa de Gaza, e se os mísseis pararem de serem lançados, então o exército deixará Gaza. Olmert começou a falar em inglês agora, e a Sky News, a BBC, a France 24 e outras redes mundias estão cobrindo o discurso.]

Voltando... Os objetivos desta operação foram escolhidos de forma que em qualquer dia da operação Israel pudesse parar e dizer: "conseguimos alcançar nossos objetivos!"

[23:17 - Agora o Ministro de Defesa Barak começou a falar. A avó da Liat (minha namorada) ligou dizendo que ouviu dizer que lançaram um míssel agora na direção de Beer Sheva, mas não ouvimos nada...]
Espero que as coisas corram bem, que o Hamas tenha a inteligência de aceitar o cessar-fogo, e que "uma nova realidade", segundo as palavras de Olmert, se crie na região. Não estou conseguindo manter a linha de pensamento nesse post, por causa do que vejo na TV e pelos telefonemas. Escreverei mais depois.

Friday, 16 January 2009

Ler um árabe

Me mandaram alguns emails recomendando um artigo do Ali Kamel que foi publicado no Globo no dia 13 de Janeiro. Não conhecia o Ali Kamel, li o artigo e gostei muito. Mas até aí tudo bem. Nos últimos dias li muitos artigos sobre o conflito e a maior parte deles era muito bom. Falei a respeito com o Marcelão, e ele me contou um pouco sobre Ali Kamel. Me disse que é de família árabe, casado com uma judia, e diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo. Isso chamou minha atenção, e reli o artigo agora sabendo de quem se tratava. Posso dizer que pareceu diferente, não sei porque, mas a mensagem não era a mesma da primeira leitura.

Acho que ler uma defesa de Israel é bem diferente quando vem de um palestino, ou um árabe, ou mesmo de um brasileiro descendente de sírios. Argumentos são argumentos, e não deveria importar muito da boca de quem eles saem. Mas o fato é que importa. Ler um árabe defendendo Israel me satisfaz muito mais que ler um judeu (olha a metonímia em ação!). E ler um judeu atacando Israel me incomoda muito mais que ler qualquer outro não-judeu. Nós pensamos: "se até um árabe acha que Israel está certo, então estamos certos mesmo!" Mesmo os que estão convencidos da justiça da operação israelense em Gaza vibram quando leem Ali Kamel "metendo o pau" no Hamas (com todo o respeito, Ali). Mas será que isso não nos ensina que no fundo eles não estavam tão convencidos assim? Não sei dizer, é uma questão difícil de responder. Deixo aos leitores (e a mim mesmo) essa reflexão.

De Ali Kamel leiam (leitura incompleta, informem-se mais sozinhos):
- Gaza, artigo publicado no jornal O Globo em 13/01/2009.
- Porteiro de Deus?, artigo publicado no jornal O Globo em 26/06/2007.
- Sobre o Islã, livro publicado em 2007 pela editora Nova Fronteira. Não o li, mas o Pato e o Marcelão me dizem que é ótimo. Vai entrar pra minha lista de "próximos livros a ler".

Thursday, 15 January 2009

Simetria

Li no dicionário que simetria vem do latim symmetria, que por sua vez vem do grego summetros. Summetros significa "de mesma medida".
Simetria é um conceito importante para os humanos. É relacionado com a beleza, ordem, proporcionalidade, equilíbrio. Procuramos simetrias por onde quer que estivermos, pois isso nos faz sentir mais seguros, nos ajuda a entender o mundo a nossa volta, simplifica as coisas.
Acontece que nem sempre encontramos simetrias por aí, e às vezes forçamos a barra, transformando coisas assimétricas em coisas "de mesma medida."
É exatamente isso que vejo que acontece com a cobertura do conflito entre Israel e Hamas, e em geral quando o assunto é Israel. Forçamos nossa visão de mundo que diz que deve haver um equilíbrio entre as partes em uma realidade que insiste em nos dizer o contrário. Daí surgem diversas aberrações, das quais tratarei abaixo.

- O cartoon abaixo é excelente para exemplificar o que quero dizer com simetria (ou a falta dela). Se invertermos a imagem (cartoon abaixo) a criança palestina seguirá na linha de fogo, e a criança israelense seguirá protegida pelo soldado. Não quero me extender aqui, acho que todos entendemos que estou falando do uso de crianças (e civis em geral) por parte do Hamas como escudos humanos, e do respeito que israel dá à vida humana. 


- Israel tem um exército, e cada um dos indivíduos é um militar. Portanto, a lógica torta nos diz que os componentes do Hamas são militantes. Não terroristas. Ativistas, combatentes, militantes. Isso deixa de lado um universo de diferenças: o Exército de Israel não se esconde no meio de população civil, o Hamas sim; o Exército de Israel usa uniforme para se identificar, os "ativistas" do Hamas muitas vezes não; o Exército de Israel faz o máximo para não ter civis como vítimas, o Hamas faz o máximo para ter civis como vítimas; o Exército de Israel recebe ordens de um governo democraticamente eleito, o Hamas é um governo democraticamente eleito que matou a oposição e instituiu uma ditadura islâmica.

- Parte dos israelenses já sonharam com a "Terra de Israel Completa", que seria o que Deus prometeu a Abraão (do Nilo ao Eufrates). A maior parte deles já abandonou esse sonho, tendo que confrontar-se com a realidade. Em 1978 Israel e Egito assinaram um acordo de paz em Camp David, que incluia a retirada de Israel da península do Sinai. Em 2000 Israel deixou o sul do Líbano. Em 2005 Israel deixou a Faixa de Gaza. Segundo minhas aspirações políticas, espero que Israel faça um acordo com os palestinos e deixe a Cisjordânea e Jerusalém Oriental. E os terroristas do Hamas? Bem, até o dia de hoje eles não reconhecem o direito de Israel existir, lutam pela libertação da terra que foi usurpada deles, e sua meta final é a destruição do Estado de Israel.

- Finalmente o número desproporcional de mortos. Depois de ler tudo isso, não é surpresa que isso também não deveria ser equilibrado. Com a ideologia e métodos usados por ambas as partes, é apenas esperado que haja mais mortes do lado palestino. Não digo isso sorrindo ou contente. A imprensa mundial publica com horror o fato de que mais de 1000 palestinos terem morrido nessas últimas três semanas. Não sei o número ou proporção dentre essas mil pessoas que eram terroristas, mas certamente estou aliviado que pessoas que sonhavam com a destruição de Israel agora estão com suas virgens no céu. E a respeito dos civis palestinos mortos, ninguém está festejando (talvez a liderança do Hamas pois "boas fotos" saíram daí), em Israel esse tema é tratado com extrema seriedade e a imprensa não esconde os fatos. 

Eu sinto de verdade que os palestinos tenham a liderança que tem, que hajam escolhido serem governados pelo Hamas e que estejam vivendo em condições deploráveis. Espero que esse último conflito faça os palestinos entenderem que o Hamas não está interessado em seu progresso, pois seus líderes estão confortavelmente sentados em Damasco, recebendo instruções do Irã. O Hamas está sacrificando sua população por uma ideologia digna da Idade Média, com tecnologia digna do século XXI.

Wednesday, 14 January 2009

Gaza: hora de golpear o terrorismo

Tomo a liberdade de reproduzir abaixo um artigo do Gustavo Ioschpe, que saiu na Folha de S. Paulo. EXELENTE! Favor repassar a todos. Agradeço minha avó Myrian que me mandou por email :-)

Gaza: hora de golpear o terrorismo
Por Gustavo Ioschpe*

   A Cobertura do conflito entre Israel e Hamas surpreende pela omissão de dois fatos simples e indispensáveis. Primeiro: Israel não ocupa Gaza desde 2005. Segundo: o Hamas é uma organização terrorista. Não são “milicianos”, “radicais”, “fundamentalistas”. O que diferencia o Hamas é o uso de métodos terroristas para alcançar seus objetivos. Objetivos, aliás, públicos e antigos: constam de sua carta de fundação, de 1988, solenemente ignorada pela imprensa.
     Em seu documento, o Hamas declara “trabalhar para impor a palavra de Alá sobre cada centímetro da Palestina” (art. 6º). Aqui, “Palestina” é a histórica: território que hoje inclui Israel, Gaza e Cisjordânia. Essa formulação prega a destruição de Israel e a criação de um Estado islâmico, governado pela sharia (a lei muçulmana).
   No artigo 7º, o Hamas cita “o profeta [Maomé]: “o julgamento final não virá até que os muçulmanos lutem contra os judeus e os matem’”. No artigo 11, declara que a Palestina é um “Waqf”: terra sagrada e inalienável para os muçulmanos até o Dia da Ressurreição e que, pela origem religiosa, não pode, no todo ou em parte, ser negociada ou devolvida a ninguém.
   Há outros trechos interessantes -o Hamas deixa claro o papel dos intelectuais e das escolas, que é de doutrinamento para a jihad; das mulheres (”fazedora de homens” e administração do lar) e até determina o que é arte islâmica ou pagã -que permitem ao leitor antever o paraíso de liberdade em que se tornaria a Palestina caso a sua visão fosse concretizada.
   Também há artigos em que o antissemitismo do grupo acusa a comunidade judaica internacional de dominar a mídia e as finanças internacionais e de ter causado a Segunda Guerra Mundial, em que 6 milhões de judeus foram assassinados.
   O documento flerta tanto com o ridículo que ele mesmo esclarece, no artigo 19, que “tudo isso é totalmente sério e não é piada, pois a nação comprometida com a jihad não conhece a jocosidade”. Quanto à seriedade do Hamas, não resta a menor dúvida, e seria bom que a comunidade internacional deixasse de tratá-los como pobres coitados e os visse como o que são: genocidas que só não implementam sua visão por inabilidade.
   A realidade no Oriente Médio mudou, mas a imprensa brasileira não se deu conta. Passou tanto tempo atacando Israel por sua ocupação contra os pobres palestinos que continuam a dirigir sua sanha acusatória três anos depois do fim da ocupação.
   Qual é a justificativa do Hamas para disparar foguetes contra a população civil israelense? Nenhuma. Para alguns, seria uma reclamação contra o bloqueio da fronteira. Essa é uma maneira totalmente ilegítima e inaceitável de protestar. Para notar o absurdo, basta imaginar se o Uruguai resolvesse lançar foguetes sobre a Argentina quando esta bloqueou suas fronteiras por causa da “guerra das papeleiras”.
   Pode-se realmente exigir de Israel que abra suas fronteiras a uma organização que deseja destruí-lo? Por que o Egito também bloqueia sua fronteira com o Hamas (apesar de ninguém protestar por isso)? Será por que o grupo usa a fronteira para contrabandear armas?
   Quaisquer que sejam as razões do Hamas para a campanha de pirotecnia -campanha assustadora, que já lançou mais de 3.500 foguetes contra Israel-, nenhum Estado pode tolerar essa agressão contra seus cidadãos.
   Comentaristas sugerem a resolução do problema por vias pacíficas, mas ninguém menciona exatamente como se daria a negociação, já que o Hamas não reconhece a existência de Israel. Aqueles que reconhecem o direito de resposta de Israel o fazem com duas condicionantes: que a resposta seja proporcional ao ataque e que civis não sejam vitimados.
   A exigência de proporcionalidade é uma sandice. Levada ao pé da letra, significa pedir que um Estado democrático constitucional lance foguetes a esmo contra uma população civil indefesa. Outra “saída” seria a morte de mais soldados israelenses. Ou, melhor ainda, civis. Ninguém menciona que, na Segunda Guerra, morreram 22 vezes mais civis alemães do que ingleses. O dado é ignorado com razão.
   A contabilidade é irrelevante. Hitler precisava ser derrotado.
   É certo que a morte de qualquer civil é uma tragédia. Uma vida é uma vida. Mas, quando os acusadores se espantam que 20% ou 25% dos mortos sejam civis, eu me espanto pelo contrário: é preciso enorme controle e apreço pela vida de inocentes para que, em uma região densamente povoada e contra um inimigo que se esconde em regiões urbanas, o índice de acerto seja de 75% a 80%.
   Os membros do Hamas se escondem em áreas residenciais, em prédios cheios de crianças. Agem de tal maneira que, em seu confronto com as democracias ocidentais, nós sempre saímos perdendo: ou pagamos com as vidas de nossos civis ou com um pouco da nossa civilidade.
   Não há maneira militar de derrota-los em definitivo. A melhor saída é drenar o pântano: chegar a um Estado palestino com os moderados do Fatah e investir para que o atraso econômico e a sensação de derrota e humilhação de muitos países árabes sejam amenizados. Fazer com que o caminho da paz e da prosperidade seja mais atraente que o terrorismo.
   Enquanto isso não acontece, é preciso mão forte para combater o terrorismo que já nos atinge. Ontem em Nova York, hoje em Gaza, amanhã provavelmente em outras capitais do mundo civilizado.

* Gustavo Ioschpe, 31, mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale, é articulista da revista “Veja” e foi colaborador da Folha . É autor de “A Ignorância Custa um Mundo” (Prêmio Jabuti 2005).
Link para o artigo no site World’s Observatory

Tuesday, 13 January 2009

"Pausa" para ajuda humanitária

Já há uma semana há uma pausa diária de 3 horas dos combates para assistência humanitária. Ambos os lados - exército de Israel e terroristas do Hamas - devem cessar toda atividade enquanto mantimentos, comida e demais chegam a Gaza e são destribuidos.

Dia 13/01/2009 - Terça-Feira
Pausa entre 09:00 e 12:00
09:33 - Um foguete Kassam cai em um campo aberto no conselho regional Eshkol. Não há feridos.
10:07 - Outro foguete Kassam cai em um campo aberto no conselho regional Eshkol.
11:25 - Foguete Kassam cai na região de Eshkol. Não há feridos.

Dia 12/01/2009 - Segunda-Feira
Pausa entre 10:00 e 13:00
11:47 - Um foguete atinge diretamente uma casa em Ashkelon. Algumas pessoas ficam em estado de choque.
11:49 - Um foguete cai em um campo aberto na região de Ofakim. Não há feridos.
12:48 - Alguns mísseis caem em campos abertos em volta de Beer Sheva. 
13:00 - Quatro mísseis caem na região de Sderot. Um deles atinge em cheio uma casa. No local 6 pessoas ficam em estado de choque.

Dia 11/01/2009 - Domingo
Pausa entre 11:00 e 14:00
11:12 - Um foguete cai na região de Netivot. Não há feridos.
11:31 - Um foguete lançado de Gaza cai em território palestino.
12:04 - Um foguete cai em um campo aberto na região de Ashkelon. Não há feridos.
12:26 - Um foguete cai em um campo aberto no conselho regional Eshkol. Não há feridos.
12:53 - Três foguetes caem na região do conselho regional Eshkol e um na região de Kiriat Malachi.
13:12 - Um foguete cai no quintal de uma casa em Sderot. No local algumas pessoas ficam em estado de choque.

Dia 10/01/2009 - Sábado
Pausa entre 13:00 e 16:00
13:05 - Um foguete cai no conselho regional Eshkol. Não há feridos.
14:23 - Um foguete cai na região do conselho regional Chof Ashkelon. Não há feridos.
15:09 - Um foguete cai no conselho regional Eshkol. Não há feridos.

Dia 09/01/2009 - Sexta-Feira
Pausa entre 12:00 e 15:00
12:10 - Um foguete cai em um campo aberto em Ashdod. No local algumas pessoas ficam em estado de choque. Um outro foguete cai em Ashkelon. 
13:02 - Um outro foguete cai na região de Ashdod. Não há feridos.

Dia 08/01/2009 - Quinta-Feira
Pausa entre 13:00 e 16:00
13:06 - Dois feridos em estado médio e dois em estado leve em consequência da queda de um foguete em um edifício em um Kibutz no conselho regional Eshkol. Ao mesmo tempo, cai um foguete no conselho regional Shaar Hanegev, não há feridos.
14:10 - Alarme em Ofakim, cai um foguete em um campo aberto na região de Ashkelon.
14:50 - Dois foguetes cairam em campos abertos no conselho regional Eshkol.

Já deu pra entender, não? Eu só listei o que aconteceu durante a "pausa" humanitária, antes e depois tem muito mais coisa... Fonte.

Monday, 12 January 2009

A Física do conflito

Hoje foi um dia importante para mim. Entreguei (finalmente!) minha tese de mestrado e me inscrevi para o doutorado - também em Física - na Universidade Ben-Gurion do Negev, em Beer Sheva. Este será portanto um posto comemorativo, onde me esforçarei trazer um pouco da beleza e aventura que há em estudar Física para um fórum amplo de leitores. Apertem os cintos.

O Foguete
Moro em Beer Sheva, a 40km de Gaza. Os mísseis chegam em 60 segundos. Uma conta rápida nos diz que a velocidade do míssel é de 2400km/h. Isso é rápido? Sim, bastante. É duas vezes a velocidade do som. Por isso, se um Kassam estiver vindo em sua direção, você nunca o escutará. Se ele passar por cima de você, você escutará a onda de choque característica de projéteis supersônicos. Um Kassam de 90kg que viaja a essa velocidade, tem a mesma energia cinética que um carro Gol viajando a 720km/h. Imagina só o estrago que seria um Gol caindo do céu a 720km/h aqui dentro do meu apartamento...

Densidade Populacional de Gaza e outros
"Gaza tem a densidade populacional mais alta do mundo", assim ouvimos dizer, não? Bem, com uma superfície de 360km2 e uma população de cerca de 1.5 milhão de pessoas, a densidade é de 4200 pessoas por km2 (estou arredondando todos os números pra ficar mais fácil - de ler, pois a conta é a mesma). A cidade de São Paulo tem uma superfície 4.7 vezes maior, e uma densidade de 7216 pessoas por km2. O Rio de Janeiro (cidade) é 3.5 vezes maior que Gaza e tem uma densidade de 4781 pessoas por km2. Aqui em casa somos duas pessoas em um apartamento de 70m2, o que dá uma densidade de 28500 pessoas por km2. A cadeira onde estou sentado ocupa uma área de meio metro quadrado e tem uma pessoa sentada (múltiplas personalidades não contam como mais pessoas), dando uma densidade de 2 milhões de pessoas por km2. Invente você mesmo outros e faça a conta, não é muito difícil... Se a Faixa de Gaza fosse um país provavelmente seria o mais densamente povoado do mundo, e achei importante termos uma noção do que isso significa.

Crescimento Populacional
Segundo o demógrafo Sergio DellaPergola, em seu artigo "Demography in Israel/Palestine: Trends, Prospects, Policy Implications", a taxa de fertilidade total (TFR) - que é o número de filhos que uma mulher terá ao longo de sua vida - dos palestinos de Gaza é de 7.4. Em outras palavras, a mulher palestina de Gaza terá em média 7.4 filhos ao longo de sua vida. O TFR dos palestinos da Cisjordânia é de 5.4 e o TFR dos judeus de Israel é de 2.6.
Segundo DellaPergola, mantendo-se a taxa de crescimento populacional como era no ano de 2000, no ano de 2050 a faixa de Gaza terá 10.8 milhões de pessoas (havia 1.14 milhão em 2000), os palestinos da Cisjordânia serão também 10.8 milhões (havia 1.9 milhão em 2000) e os judeus de Israel serão 9.7 milhões (havia 5 milhões em 2000). O negócio de prever o futuro é complicado, melhor é ler o artigo pra entender...

Vocês podem estar pensando que tudo isso que eu disse é interessante, sem dúvida, mas nem tudo é Física. E eu lhes pergunto: o que no mundo não é Física?

Sunday, 11 January 2009

Ao vivo de Gaza

Abaixo um link para o sítio na internet do canal 2, de Israel. Está tudo em hebraico. Se você não entende, não faz mal, no meio fica uma janelinha de vídeo, clique nela e depois de uma propaganda de alguns segundos aparecerá uma transmição ao vivo de Gaza, da agência de informação palestina Ramatan.

Clique aqui para ver Gaza ao vivo.

Ministro alemão manda benzão!

O ministro do exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, está na região. Encontrou-se hoje com o presidente de Israel, Shimon Peres, e com a ministra do exterior Tzipi Livni. Em uma coletiva de imprensa Livni disse:

Não haverá uma solução política se o seu preço for um diálogo com o Hamas. Eu não vou tirar fotos abraçada com Haniya na Casa Branca ou na ONU. Isso não vai acontecer, ele [o Hamas] é uma organização terrorista - e o que não acontecer desta vez, acontecerá da próxima. A longo prazo o governo do Hamas é um problema de Israel e dos palestinos, enquanto que os moradores de Gaza descobrem hoje o pesado preço do governo do Hamas e toda a região entende o problema que é o Hamas (...) No meu ponto de vista, a operação militar tem como objetivo conseguir desencorajar [o Hamas] atingindo sua capacidade e atingindo sua motivação. O Hamas entende que para cada foguete que eles lançam, (...) Israel devolve. Essa é a nova equação, eu não tenho dúvida que hoje estamos em uma posição completamente diferente da que estávamos há duas semanas.



O Ministro do Exterior alemão disse que
O governo alemão está ciente de que a operação militar não começou de repente. Sabemos que há meses há ataques em Gaza, cuja responsabilidade é do Hamas. Sabemos de todos os efeitos sobre a população israelense, as pessoas vivem com medo e há mortos e feridos. Sabemos que não há nenhum país no mundo que ficaria parado frente a ataques diários de foguetes. É muito importante que a comunidade internacional ajude Israel. Precisamos de um cessar-fogo que venha com a segurança do Estado de Israel. O lançamento de foguetes Kassam deve parar, assim como o contrabando de armas para a faixa [de Gaza]. Um cessar-fogo não virá automaticamente. Falei com o governo egípcio, queremos ter certeza que não haverá mais contrabando de armas para a Faixa de Gaza. Devemos também assegurar que os acordos que foram obtidos até agora entre Israel e os palestinos não se percam. Apoiamos a estabilidade da região.

Fonte: YNET
* Pros maiores de ?? anos: Mandar benzão = mandar muito bem = fazer a coisa certa

Saturday, 10 January 2009

IstoÉ uma vergonha!!

Sobre a IstoÉ desta semana.

Estou tão puto que não sei nem por onde começar.

Começaremos pela capa. "O terrorismo de Israel." Frase sensacionalista, equivocada, de má índole. Ao longo de todo o texto da revista, a palavra terrorismo só se refere ao Hamas, e com aspas, como se não estivesse claro quais são os objetivos do grupo. Os ataques do Hamas são "condenáveis", enquanto que o desumano da história é Israel. Patético.

"Previsto pela mesma resolução da ONU que criou Israel em 1948, o Estado da Palestina não se materializou desde então devido a sucessivos conflitos árabes-israelenses."
Que frase idiota... Além de deixar de lado toda a história da resolução da Partilha da Palestina de 1947 (os países árabes se opuseram) e a guerra de independência de Israel - os exércitos do Líbano, Síria, Jordânia, Iraque, Arábia Saudita e Egito atacaram Israel, para que todo o território fosse palestino. Perderam. A Cisjordânia foi anexada pela Jordânia e a Faixa de Gaza pelo Egito.

Luiza Villaméa escreveu o artigo "Terror e política", contando a história do Hamas. Ela escreve que
...em junho de 2007 militantes do Hamas expulsaram a Fatah da Faixa de Gaza, que passou a ser controlada unicamente pelos “terroristas”.
Por que aspas???????????????????

Não vou comentar tudo o que li. A impressão geral é que a revista fez um desserviço ao público, transmitindo informações incompletas e muitas vezes equivocadas, usando o pior jornalismo sensacionalista. Espero uma retratação na próxima edição.

Finalmente, gostei da minha foto que eles escolheram dentre tantas que mandei para eles. Sobre a mensagem que eu passei, achei pouco e esperava que escrevessem as opiniões que tenho a respeito do conflito, doce ilusão. Disseram que sou "um israelense naturalizado brasileiro", o que é equivocado. Não sou naturalizado, sou brasileiro nato, filho de pais brasileiros, e nascido em Israel, conforme determinado pelo Ministério da Justiça.

Agradeço a Adriana Prado, da IstoÉ, por haver me entrevistado. A entrevista foi por um bate-papo de texto, e reproduzo abaixo algumas poucas partes da entrevista que julgo ser interessante aos leitores (tenho permissão da Adriana para fazê-lo).

23:34 Adriana: vc em algum momento teve vontade de voltar pra o brasil, pelo menos por enquanto, pq tem medo de se machucar ?
23:35 Yair: a idéia de voltar ao brasil nunca havia me ocorrido.
[uma sirene neste momento tocou. saí correndo para o quarto e continuamos o papo]
23:37 Yair: esta tocando sirene AGORA
23:37 Adriana: nossa, dá muito medo?? [23:38] o que vc fa numa hora dessas?
23:38 Yair: estava na sala e saí correndo com o computador para o quarto protegido.
23:39 Adriana: toda casa em israel tem esse quarto? é tipo um quarto do pânico?
[o papo segue e às 23:46 a conexão cai. Quando reconectamos...]
23:59 Adriana: estávamos falando de uma possível volta ao brasil quando a sirene tocou. vc disse que até entaõ sentia mais medo em SP (pq?) do que aí. e agora? cogita voltar?
[de novo essa pergunta?!]
00:05 Adriana: mas e agora, depois de toda essa tensão, vc cogita pelo menos voltar por um tempo?
[DE NOVO?!]
00:05 Yair: eu nunca tinha cogitado ir ao Brasil antes de você me perguntar a respeito
00:06 Adriana: então é um possibilidade totalmente remota? ou impossível?
[Tenho a impressão que se eu não falar que vou voltar, ela vai encontrar alguém que fale... A entrevista está chegando ao fim... Conversamos mais um pouco e nos despedimos]

Friday, 9 January 2009

Atirando de escolas

Estava agora lendo o blog NetJudaica, do Dov, e encontrei vídeos muito interessantes. Aqueles que já ouviram dizer que os terroristas lançam mísseis de escolas, podem agora dizer que viram eles lançando de escolas.

Video liberado pelo escritório do porta-voz do exército de Israel. Filmado em 30 de Outubro de 2007 pela força aérea, mostra 3 terroristas do Hamas lançando mísseis na direção de Israel de uma escola primária da ONU em Beit Hanoun, na Faixa de Gaza.



Obviamente vem a tona o caso do bombardeio israelense da escola da ONU em Beit Jabaliya. Disse num post anterior que foi um erro do exército, mas a história não é tão simples. A ONU diz que não havia terroristas na escola, o exército de Israel diz que atiraram neles da escola. O que aconteceu de verdade talvez não saberemos nunca.

O fato de ter civis na escola, não anula automaticamente o fato de que terroristas estavam atentando contra a vida de soldados israelenses. Por outro lado, o fato de que os terroristas usaram civis como escudo humano não anula automaticamente o fato de que o exército matou no ataque dezenas de civis inocentes. É isso que eu chamo de Dilema, com D maiúsculo.

Claro que é um dilema para Israel apenas, que tem que pesar os dois lados e decidir como lidar com a situação. Se fosse um dilema do Hamas, seria simples, eles deixariam de covardemente usar escudos humanos. Mas esse argumento não acho que funcionaria com terrorista algum, acho que com o conceito torcido dele de valor da vida humana, não tem problema matar alguns soldados escondendo-se atrás de crianças.



Mais sobre o uso de crianças em artigos de Reinaldo Azevedo chamados A carne barata das crianças palestinas e Vídeos do fascismo islâmico. E a carne barata das mulheres e meninas.

Um último vídeo. Não assista antes de almoçar.

Thursday, 8 January 2009

Pra não dizer que não falei das flores

Israel não é só guerra. Foto abaixo tirada na primavera de 2006, em Beeri, a 4.5km da fronteira de Gaza.
Yair

Liat

Da natureza do debate

Nos últimos dias tenho recebido muito feedback de leitores, e por isso agradeço as visitas e os comentários que deixaram. Isso me fez pensar muito sobre quem são as pessoas que leem o que escrevo. Esse será um post mais reflexivo/filosófico, preparem-se.

Suspeito que a grande maioria dos que visitam o blog são judeus, ou pelo menos simpatizantes de Israel. Neste caso, estou "preaching to the choir", ou seja, convencendo pessoas que já estão convencidas do que estou escrevendo. Claro que isso tem o seu papel, nos faz sentir unidos, nos dá força, etc. Mas basicamente a pessoa acaba confirmando o que já pensa.

Uma outra parcela das visitas, imagino ser de anti-sionistas ou simpatizantes da causa palestina. Sei porque já me mandaram umas mensagens bastante feias que não ousaria reproduzir aqui. Isso é um fenômeno conhecido. Os judeus representam 90% do tráfego em sites nazistas (tirei esse número da cartola, mas se eu não dissesse nada até que convenceria), repassando por email uns aos outros o link do site, chocados com o que acabaram de ver. Também devem ser os judeus os que mais acessaram o site do PT nos últimos 4 dias...

O que acho que menos tem nesse blog é visitas de pessoas que sabem pouco sobre o conflito árabe-israelense e vieram se informar. Claro que tudo o que escrevi até agora é totalmente especulativo. Talvez depois que eu termine de escrever esse post eu coloque no blog uma enquete a respeito.

O que eu gostaria de dizer é que em todos os debates que vi, o que menos tinha era diálogo. Poderia caracterizar os debates como monólogos intercalados, acho que é uma caracterização mais justa. Por acaso alguém já saiu de um debate convencido do oposto que pensava no começo? Claro que não. Debatemos, nos exaltamos, chamamos o outro de burro e no final nos sentimos bem porque "fizemos a nossa parte."

- Ah, mas o debate é importante para educar os que ainda não tem uma posição!

Sim e não. Até poderia ser verdade caso os debates fossem diálogos, idéias fossem trocadas e se uma linha de raciocínio fosse mantida. [Acabei de me lembrar de um filme excepcional chamado "See no evil, hear no evil", onde Richard Pryor é um cego e Gene Wilder é um surdo, vídeo abaixo].

A solução? Explicar o seu ponto sem estar rebatendo o que outro já disse. Propaganda [isso mesmo!] ativa, e não como reação a algo. Pretendo em posts futuros dar exemplos a respeito.

E para terminar [ficou longo, eu sei] deixo abaixo vídeos de monólogos que por aí andam chamando de debate.

See No Evil, Hear No Evil




Wednesday, 7 January 2009

O que os políticos dizem?

Chaim Ramon, vice primeiro ministro de Israel

Não podemos continuar com o governo do Hamas na faixa [de Gaza]. O Hamastão na faixa de Gaza é uma ameaça intolerável ao Estado de Israel - temos que trazer um fim ao governo do Hamas.


Nicolas Sarkozy, presidente da França

Nós da Europa queremos um cessar-fogo o mais rápido possivel, e todos entendemos que o tempo está correndo contra a paz. As armas devem se silenciar, deve haver uma trégua humanitária. Todos devem entender que o que está em jogo aqui não é somente um assunto entre israelenses e palestinos, é um assunto global e é o mundo inteiro que os ajudará encontrar uma solução.

Eu entendo que vocês querem os disparos parem, que o Hamas não possa disparar depois, que pare o fortalecimento dessa organização terrorista, e que vocês não querem saber de falar com terroristas que são uma extensão do Irã. Mas em paralelo às atividades do exército de vocês em Gaza, vão por falar com os egípcios para parar com o contrabando [de armas] pela fronteira. Se precisar de uma doação da Europa, se precisar de força marinha, se precisar cuidar dos túneis do lado egípcio da fronteira, estaremos a seu lado.


Ehud Olmert, primeiro ministro de Israel

O objetivo não é acabar com o governo do Hamas, apesar de sermos capazes de fazê-lo. Definimos de antemão um objetivo definido - mudar a situação de segurança no Sul e liberar centenas de milhares de cidadãos do terror.

Neste momento e a luz do processo político, não seria apropriado e sábio passar no Conselho de Segurança uma decisão sobre isso [cessar-fogo]. Tendo-se em vista nossa experiência na luta contra o terror, hoje trata-se do Hamas, e amanhã o Hizballah e o Jihad Islãmico, e depois de amanhã o Al Qaeda.

Sou um homem de concessões. Mas sobre uma coisa eu não posso abrir mão, e é a segurança dos cidadãos de Israel. Não poderemos chegar a meio termo enquanto o Hamas puder atirar em um ou dois meses contra a população israelense. Antes do cessar-fogo os mísseis do Hamas tinham um alcance de 20km. Depois do cessar-fogo, o alcance subiu para 40km e ameaça a vida de 1 milhão de israelenses.


George Bush, (ainda) presidente dos EUA

Desde que o golpe violento do Hamas no verão de 2007, as condições de vida pioraram muito para os palestinos de Gaza. Gastando seus recursos em lançadores de foguetes, em vez de estradas e escolas, o Hamas tem demonstrado que não tem nenhuma intenção de servir o povo palestino.

Em resposta a esses ataque a seu povo, os líderes de Israel lançaram operações militares contra posições do Hamas em Gaza. Como parte de sua estratégia, os terroristas do Hamas frequentemente se escondem entre a população civil, pondo palestinos inocentes em risco.


Barack Obama, presidente eleito dos EUA

Eu prometo que depois de 20 de Janeiro terei muito a dizer a respeito, e eu não retiro nada do que disse durante a campanha. No começo do meu governo, me envolverei de forma ativa e constante no caso para poder tentar resolver o conflito. Estou totalmente comprometido com isso. É o que se deve fazer para os moradores da região e para os EUA.


Tzipi Livni, ministra das relações exteriores de Israel

A idéia não é acabar essa operação militar com um aperto de mãos, mas sim evitar que sigam as atividades terroristas. Israel não negociará com o Hamas.

Uma organização terrorista que controla Gaza é um desafio dos próprios palestinos, da região e da comunidade internacional inteira. A guerra contra o terror é uma luta que leva tempo. Haverá uma operação depois da outra. Não se trata de um conflito que a ONU tem que dar uma solução, é uma guerra congra o terror. Esperamos da comunidade internacional, e principalmente da ONU, transmitir a mensagem correta aos terroristas e não dar nenhuma assistência ou legitimização ao terror do Hamas.

Reportagem do IG

O IG fez a reportagem Conflito em Gaza divide blogosfera.

Eles falam sobre blogs que contam o que se passa em Israel e em Gaza. Vale a pena dar uma olhada. Dessa vez publicaram minha foto sorrindo, não a outra, com cara de sério.

Fiquei sabendo da reportagem por um recado que me deixaram no orkut, ninguém do IG me contactou. Tudo bem, o blog é pra todos verem e eles publicaram um link para cá, é justo. O recado do orkut já apaguei, porque o cara me xingava dizendo um montão de besteira, não vale a pena...

Obama visita Sderot

Visita feita em Julho de 2008.
Fiz opção de legenda em Português.
Clique "Play" no vídeo abaixo. Se a legenda não aparecer direto, clique no canto inferior direito na flecha para cima, depois em CC (closed caption) e escolha a legenda.

Tuesday, 6 January 2009

Por que não deixar com os adultos?

Eu posso ficar quebrando a cabeça de como escrever de uma forma inteligente e clara várias coisas, mas a minha sorte é que tem gente que está fazendo isso muito melhor do que eu poderia sonhar em fazer:

Mudar as palavras - de João Pereira Coutinho.
Esse é o meu colunista preferido, de todos os que já li. Não por causa de Israel, por tudo que ele escreve... vejam mais aqui.

Ironia Trágica - de Reinaldo Azevedo.
O cara é muito bom. Falei mais a respeito dele antes.

As barbaridades sobre Gaza - de Sérgio Malbergier.

Pilar Rahola. Passo o sítio dela, cheio de artigos e materias interessantes (muitos com tradução ao português). Destaque: A esquerda lunática

Agradeço ao Marcelão pelas dicas.

Podcast na Folha Online

Acompanhem um podcast meu na Folha Online.

Me pediram para mandar uma outra foto que não fosse essa aqui do blog, porque estou muito sorridente... Mandei a primeira que me pareceu mais "razoável".

Agradeço a Vanessa Correa, do Grupo Folha, pelo contato e pela oportunidade de contar um pouco da situação aqui para os leitores da Folha Online.

Tudo começou quando minha irmã Maia me deu a dica de escrever para a Folha, e escrevi um texto curto, porém bastante carregado de opiniões políticas. Depois me responderam pedindo meu telefone, e eu dei sem problemas. Me orientaram a dizer no podcast apenas como está a situação por aqui, mas não falar nada sobre política, a justiça dessa operação e coisas do gênero. Parece que o pessoal da Folha ainda não conseguiu contactar ninguém em Gaza para trazer o seu lado da história, então por motivos de imparcialidade por enquanto nada de opiniões políticas...

Mas peraí, esse blog é meu, e escrevo o que quiser! Vai aí o texto que mandei pra eles:

Me chamo Yair Mau, sou físico, moro em Beer Sheva, tenho 26 anos.
Há uma semana começaram a lançar foguetes a Beer Sheva, e agora sei como os moradores de Sderot vivem há 8 anos! A tensão constante de ouvir sirenes, se esconder e ouvir um bum! Esperando que nunca seja com você, mas certamente sempre é com alguém. A operação israelense em Gaza é necessária e justa. Estamos lutando contra terroristas, que não reconhecem o meu direito de viver neste país, não reconhecem meu país, e têm civis como alvo.
Leio muito na mídia internacional sobre a desproporcionalidade da reação israelense. Desproporcional é a pressa que os países do mundo têm em condenar Israel por defender seus cidadãos, e a resistência que têm em chamar o Hamas pelo seu verdadeiro nome: um grupo terrorista islãmico fundamentalista, que tem como lema "Alá é sua meta, o Profeta é seu modelo, o Alcorão sua constituição: Jihad é seu caminho e morte em nome de Alá é o mais elevado de seus desejos" (artigo 8 do Tratado do Hamas de 1988). Isso deveria assutar os cidadãos de qualquer democracia; certamente me assusta.
Tenho um blog (http://blogandodeisrael.blogspot.com/) onde conto o meu lado do conflito, e tento trazer outras informações a amigos e parentes do Brasil. No fundo, acho que a mensagem mais importante que tenho para passar é que Israel faz o máximo para atingir apenas os terroristas, e deixar os civis intocados. Por outro lado, hoje o Hamas lançou um míssel para atingir civis israelenses e acertou um jardim de infância em Ashdod. Essa é a essência do conflito.

Civis palestinos mortos em escola

Não fiz esse blog só pra falar de como Israel é legal e como o Hamas é ruim. Bom, o Hamas é ruim mesmo, isso não tem o que fazer... Mas de vem em quando o exército de Israel comete erros, como o de hoje, matando muitos civis palestinos (depende de onde se lê o número vai de 30 a 40). É um incidente grave, que certamente deve ser investigado como uma coisa dessas pôde acontecer. Eu honestamente acredito que foi um engano, uma falha, erro da inteligência, como quiserem chamar.

Virão aqueles dizer que foi intencional, que Israel é um governo nazista, genocida, que está fazendo um holocausto com o povo palestino. Com esses não dá nem pra conversar, mas acho que é meu papel ajudar quem está perdido no meio de tanta informação conflitante por as idéias em ordem.

Ontem um tanque israelense atirou em um edifício onde soldados israelenses estavam se escondendo, matando 3 e deixando dezenas de feridos. O ataque a escola não foi mais ou menos intencional do que o "fogo-amigo" que matou os 3 soldados.

Escutei o porta-voz do exército na TV, e o perguntaram se o exército tirou lições da última guerra com o Líbano, em 2006. Ele respondeu que erros sempre acontecem, e o papel deles é fazer erros novos, porque os antigos se espera não repetir. Acho que é esse mesmo o espírito.

Noticias sobre os civis palestinos mortos em uma escola: Folha Online, Globo.com, NYTimes, Haaretz, YNET.

Notícias sobre os 3 soldados mortos em fogo-amigo: Folha Online, Globo.com, Haaretz, YNET.

Pôr-do-sol em Beer Sheva

Fotos tiradas da varanda do meu apartamento, no extremo norte de Beer Sheva, às 16:40



Monday, 5 January 2009

O tratado do Hamas - 1988

Essa é a plataforma do Hamas, traduzo abaixo algumas partes que me chamaram a atenção.

- Lema do Hamas: "Alá é sua meta, o Profeta é seu modelo, o Alcorão sua constituição: Jihad é seu caminho e morte em nome de Alá é o mais elevado de seus desejos" - artigo 8

- Israel existirá e continuará existindo até que o Islã o oblitere, da mesma forma que obliterou outros antes dele. - introdução

- O dia em que inimigos apoderarem-se de parte da terra muçulmana, a Jihad (guerra-santa) se torna um dever individual de cada muçulmano. Tendo-se em vista que os Judeus usurparam a Palestina, é obrigatório que a bandeira da Jihad seja levantada. Isso requer a difusão da conciência Islãmica entre as massas, ambos nos níveis regionais, Árabes e Islãmicos. É necessário instigar o espírito de Jihad no coração da nação para que eles confrontem o inimigo e se juntem às fileiras dos combatentes. - artigo 15

- A mulher muçulmana tem um papel não menos importante que o do homem muçulmano na batalha de liberação. Ela é quem faz os homens... - artigo 17

- Israel, o Judaísmo e os Judeus desafiam o Islã e o povo muçulmano. "Que os covardes nunca durmam." - artigo 28

- O Movimento Islãmico de Resistência é um movimento humanista. Ele toma conta dos direitos humanos e é guiado pela tolerância Islãmica quando lida com os seguidores de outras religiões. - artigo 31

Fonte: The Avalon Project

Vídeos Novos

O André e eu estamos colaborando para traduzir e postar vídeos que julgamos ser importantes. Abaixo passo uma lista dos últimos vídeos, que são imperdíveis.

Mensagem de Barack Obama ao povo de Sderot, gravado em 26 de Fevereiro de 2008, quando Sderot já sofria dos ataques do Hamas há muitos anos.

Resumo histórico desde a saída de Israel da faixa de Gaza até o início das operações militares na última semana.

Especialista em direito internacional explica a legalidade da ação israelense em programa da Al Jazeera em inglês.

How do YOU like it?


dica da Liat

Oh amigos

Pra levantar os ânimos nesses dias difíceis... Minha resposta às sirenes e explosões:

video

Oh, amigos
Não com esses sons!
Vamos entoar sons
mais prazeirosos e agradáveis.


Agradeço a Ludwig e a Friedrich pela força.